quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

SOBRE O ASSÉDIO SEXUAL DIÁRIO E O QUE NOVA PETRÓPOLIS TEM A VER COM ISSO


Hoje de manhã, eu estava parada na calçada ouvindo música e mexendo no celular enquanto aguardava minha condução para o trabalho. Eis que um caminhoneiro engraçadinho resolve buzinar, e a buzina num volume insuportável quase me faz ter um ataque. Como se não bastasse o susto, o caroneiro quase coloca todo corpo pra fora do caminhão pra continuar mexendo comigo. Eu, como sempre, levanto o dedo do meio desejando, intimamente, que as bolas daqueles animais irracionais gangrenem e caiam. Se você acha exagero da minha parte, é porque não sabe o que é ficar com ódio por ter seu espaço invadido quase DIARIAMENTE por ANIMAIS  que ainda acham que mulher deve agradecer por levar cantada. Mas se você for mulher, você sabe exatamente do que eu estou falando.
                Porque talvez, você mulher, faça parte dos 81% que já deixaram de ir a algum lugar ou dos 90% que já trocaram de roupa antes de sair de casa, por medo do assédio (segundo pesquisa do blog Think Olga = http://thinkolga.com/2013/09/09/chega-de-fiu-fiu-resultado-da-pesquisa/).
                Mas se você for homem, talvez isso nem tenha passado pela sua cabeça.. afinal de contas, você pode andar sem camisa em (quase) qualquer lugar sem que isso seja entendido como provocação sexual, você pode ir e vir sem ter medo de ser assediado, agredido ou estuprado. Que bom pra você, porque você não precisa sentir medo apenas pelo fato de EXISTIR e ter uma vagina.
                Sim, eu sei que tem mulher que adora se expor, que acha graça em cantada, que usa roupas vulgares com o propósito de provocar. Afinal, infelizmente, a gente ainda vive numa cultura que objetifica a mulher - muitas vezes com o consentimento de muitas delas. Mas ser sexy, ou vulgar ou qualquer outra coisa é uma escolha individual, e ninguém  tem o direito de xingar, zoar ou assediar qualquer mulher por isso. Cantada não é elogio!
                Porque usar roupa curta, na maioria das vezes, NÃO É UM CONVITE. Mulheres têm o direito de usar roupas frescas assim como você anda por aí sem camisa SEM PRECISAR TER MEDO DE UM ESCROTO PASSANDO A MÃO NELAS, BUZINANDO, CHAMANDO-AS DE GOSTOSA OU FAZENDO AQUELE BARULHO INSUPORTÁVEL COM A BOCA (que pra mim, lembra o som de carne assando). RIDÍCULO!!!
                Eu já leio sobre o feminismo há algum tempo (casalsemvergonha.com.br; thinkolga.com; blogueirasfeministas.com, todos têm ótimos textos a respeito). A minha intenção não é dizer o que todos dizem, nem dar lição de moral em ninguém.. A minha intenção é falar sobre coisas que eu vejo (e que eu sinto) diariamente dentro da minha realidade: a de Nova Petrópolis. Aí discuto sobre esses assuntos que tanto leio e, muitas vezes, sou censurada justamente pelas mulheres daqui.
                 E o que me deixa chateada não é a censura, mas é quando penso em toda educação e a cultura que está enraizada  e que faz muitas mulheres de Nova Petrópolis ainda pensarem como homens machistas, e inclusive criarem seus filhos e filhas para serem assim. Criam seus filhos para serem "os pegadores", os meninos que não choram, que e aaaai deles se tiverem jeito de bichinha (o que o pai, os avós e os vizinhos vão pensar?). Criam suas filhas para serem como as princesas da Disney: imaculadas, inocentes, burras e subservientes aos seus futuros homens. Ai dessa menina se jogar futebol, se andar de skate, se andar com os meninos, se fizer tatuagem, se usar boné, se tiver jeito de "machorra", se brigar com os meninos que fazem bullyng, se não quiser casar ou ter filhos.  Acha exagero? Então me chama inbox que eu tenho várias histórias pra contar.
                O que isso tem a ver com o início do texto? TUDO! Porque é aí que muitos meninos crescem achando que podem tudo, e muitas meninas crescem achando que não podem nada. E esse tipo de pensamento é reforçado na adolescência e consolidado na vida adulta, com ajuda dos pais e da sociedade.
                 Aí tu vê as meninas no boliche caindo de bêbadas e se impressiona, mas não se surpreende com o bando de idiotas que volta e meia se senta na frente do Babão ou do antigo Baronesa pra mexer com a mulherada na rua - e se tu mandar um deles tomar no cu, é capaz de ser linchada por todos.
                Daí tu dá uns tapas no cara que te traiu e tu é a ruim da história (e ainda dizem que vadia é a menina que se ofereceu pra ele), mas quando alguma mulher em Nova trai o namorado, daí ela é a vagabunda. Daí a mulher viúva começa a reconstruir a vida e namorar com outra pessoa, e ela é a oferecida. Mas se o cara viúvo conhece outra mulher é justo porque, afinal, alguém precisa ajudar ele a cuidar da casa. O pior: são muitas MULHERES de Nova que ajudam a disseminar todos esses preconceitos.
                Eu não vou conseguir mudar o mundo, nem o que as pessoas pensam ou fazem, até porque já é um grande esforço tentar mudar a mim mesma e os pensamentos preconceituosos que eu ainda cultivo no meu íntimo. Mas se os pais se preocupassem mais em saber por onde os filhos andam do que falar mal do filho dos outros, se as mães falassem mais sobre sexualidade com as filhas em vez de falar mal da filha da vizinha que apareceu grávida, se as pessoas achassem mais normal falar sobre esses assuntos do que sobre o BBB ou a novela, então talvez teríamos uma chance de mudar o pensamento das próximas gerações, dessa galera que tá vindo aí e não parece ter a menor consciência sobre quase nada... e a maior culpa é dos adultos: muitos daqueles mesmos que acham graça mexer com as mulheres e que acham que mulher de roupa curta pediu pra ser estuprada. Alguém tem ideia de que não é incomum aqui em Nova que meninas sejam violentadas por parentes?
                Talvez pareça estranho, muito doido da minha parte, fazer uma análise que envolva tantos assuntos diferentes. Se você concorda ou não, é um direito que lhe assiste. Mas se ao menos isso te fizer repensar algumas coisas, já fico feliz. Eu também vivo repensando.
                No fim das contas, acho que não importa muito se a gente concorda ou não. Independente do que você acredita ou do lugar em que você esteja, uma coisa deveria ser certa: NO DIA EM QUE A MULHER TIVER O MESMO VALOR QUE UM HOMEM, E NO DIA EM QUE MUITAS MULHERES SOUBEREM SE VALORIZAR, AS COISAS SERÃO MUITO DIFERENTES. Desde o maldito e inconveniente assédio diário até a remuneração igualitária. É disso que se trata o feminismo: não se permitir ser menos, mas também não querer ser mais, apenas ser IGUAL.

                E ao caminhoneiro: eu queria ver se fosse com a tua mãe. E eu só não te chamo de filho da puta porque, pra variar, quem é xingada de puta é sempre a mulher.     

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Das verdades que desmentimos, das mentiras em que acreditamos.

“É muito solteiro apaixonado e muito casal fingindo que se ama.” Essa é mais uma daquelas frases engraçadinhas do Facebook que, brincando, diz umas boas verdades pra quem quiser entender.
E é engraçado como disfarçamos isso tudo muito bem: o universo dos solteiros está aí pra alardear o consumo, a efervescência da vida noturna, o glamour das viagens, as plumas e paetês de um mundo pontilhado de micro saias, descolorante capilar e pó bronzant, camisas justas, calças de marca e carros do ano.
O que ninguém mais quer ver: mulher bonita se vendendo por camarote na balada pra mostrar pro ex que, afinal, ela está muito melhor sozinha. Homem pagando uma de machão pros amigos quando, na verdade, queria estar bem longe da “mulher grude” que empurraram pra ele.
Em contrapartida, o mundo dos comprometidos traz a linda promessa do amor dedicado vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Dos aniversários de namoro regados a muito vinho importado, presentes caros e demonstrações públicas de afeto.
 O que ninguém quer ver: cobranças infundadas, ciúmes acompanhados de grandes doses de insegurança e falta de confiança, ouro e brilhantes muito verdadeiros e “eu te amo´s” muito falsos. Ilusão demais, respeito de menos.
Nada é cem por cento bom ou cem por cento ruim e todas as experiências são necessárias, afinal de contas, todo mundo quer ter história pra contar. Digo isso porque muitas dessas coisas eu vi, e tantas outras eu vivi. Mas agora, cá entre nós, tiremos o dinheiro, as aparências e os expectadores disso tudo pra ver o que sobra. Cadê o espaço para os verdadeiros amigos, para as coisas simples da vida? Pro chopp baratinho do fim de semana, pra festa mixuruca cheia de gente que você gosta, pro beijo sincero de quem te quer bem, pra vontade de viver as coisas em vez de viver colocando nome nelas?
"Só porque você acredita firmemente numa coisa não significa que ela seja verdadeira. Disponha-se a reexaminar aquilo em que acredita.” O que essa frase tem a ver com isso tudo? Simples: todos temos idéias pré-concebidas sobre tudo. Algumas advindas de nossas experiências – por vezes desastrosas- e tantas outras criadas por um mercado que ganha, e muito, com a nossa ignorância. O fato é que distorcemos tudo: confundimos parceiros com amigos, performance sexual com satisfação, namorados com caixas 24 horas, solidão com liberdade, namoro com prisão. Alguns continuam namorando com aquela pessoa insuportável por comodismo, tantos outros sozinhos continuam a olhar de longe aquela pessoa especial por insegurança. Senhor, dai coragem – e vergonha na cara – dessa gente (ah, eu, por vezes, também) que ainda ouve o que os outros dizem, que ainda teme sofrer de novo.
E como já disse, minha ídola, Martha Medeiros: “Fazer do seu jeito - amores, moda, horários, viagens, trabalho, ócio - é uma maneira de ficar em paz consigo mesmo e, de lambuja, firmar sua personalidade, destacar-se da paisagem. Claro que não se deve lutar insanamente contra as convenções... Estão aí para facilitar nossa vida. Mas se não facilitam, outro jeito há de ter. Um jeito próprio de ser alguém, em vez de simplesmente reproduzir os diversos jeitos coletivos de ser mais um." 

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Intensidade


       
            De tudo que é efêmero, dentre tudo que é mutável, só ela é constante. Pessoas entram e saem da minha vida, transito de um lugar pro outro, substituo uns problemas por outros. Mas ela, ela nunca é substituída, ela nunca fica pra trás numa viagem, a tal da intensidade.
            Nem sei se devo referir-me a ela como algo à parte. Não sei em que momento ela se apresentou a mim, mas quando o fez a acolhi como a uma irmã. Não foi fácil conviver com ela , no entanto ela se costurou tão bem na minha essência que não senti necessidade de cortar os pontos que nos uniam. Ela desperta meus anjos e demônios, faz-me oscilar entre a melancolia e a euforia, faz alguns me amarem e outros me odiarem. Alguns me acharem espontânea, outros tantos me acharem ridícula.
Ela foi o meu ingresso – e garanto, custou caro - pra montanha-russa em que transformei a minha vida – por livre e espontânea vontade. Entre os altos e baixos dela sempre é provável que eu saia tonta ou ferida. Mas faço questão dos arranhões, das cicatrizes, das dores pois eles acontecem em menor proporção mas em mesma intensidade – olha ela aí de novo - das alegrias, da adrenalina, da satisfação, da sensação de liberdade. Não é que eu não tente evitar as dores, mas acho que, na maior parte das vezes, vale a pena se machucar se existir uma possibilidade de conseguir algo que realmente quero. E com o mesmo poder com o qual me amortece, ela também me faz sentir viva e exultante.
Muitos perguntam que tipo de problema mental uma pessoa pode ter pra escolher viver dessa maneira. E, convicta, respondo: é preferível viver à mercê dos sentimentos mais intensos do que apenas existir sob a letargia da mediocridade. Levantar a bunda do sofá é o único fator definitivo entre apenas existir ou viver. Às vezes dói, machuca, mas também ensina, educa. Não consigo sentir as coisas mais ou menos. A mediocridade me irrita, ou me importo com algo ou sou indiferente a isso. Eu não sou mais ou menos alguma coisa, ou sou várias coisas ao mesmo tempo ou não sou nada.Não quero fazer mais ou menos parte da vida de alguém, tampouco quero que as pessoas façam mais ou menos parte da minha.  Eu não quero ser mais ou menos feliz. 
Querer ter uma vida feliz sem dedicar-se a isso, querer que as pessoas compreendam seu comportamento se escondendo atrás de seus medos é o mesmo que querer ganhar na loteria sem comprar o bilhete. A vida só é intensa para os que agem como tal. O prêmio só está disponível aqueles que se submetem à possibilidade do fracasso.
E quando falo em intensidade não falo de loucura, tampouco de insanidade. Falo de transparência, falo de força, de se fazer ouvir, de se deixar ver, de dar a cara a tapa, de apostar as fichas, de se ferrar de vez em quando na esperança de que outrora poderá ser tudo diferente. Mais vale uma lágrima nos olhos de quem lutou por um sorriso do que um sorriso nos lábios de quem nunca lutou por nada.
Não suporto quem exige uma pessoa inteira mas se doa somente pela metade. Todos temos o direito de viver da forma como escolhemos sem sermos recriminados por isso. Mas dessa mesma forma temos o direito de escolher com quem convivemos e de que forma queremos fazê-lo. Não quero compromisso, quero doação. Não quero palavras, quero atitudes. Não quero ligações, quero olhos nos olhos. Não quero presentes, quero presença. Prefiro o zero do que o meio. Peco pelo excesso, não pela falta. Peco, inclusive, pela persistência.
Dificilmente abandono uma causa, raras vezes me dou por vencida, insisto, persisto, luto. No entanto, a intensidade dos desejos esmorece ao esbarrar com o alerta do amor próprio, a intensidade da compreensão é esmagada pelo limite da tolerância, a intensidade dos sentimentos se abranda ao se deparar com as queixas de um corpo cansado de insistir. E com a mesma intensidade com que levanto da cama todos os dias pronta pra lutar por mais um sonho também sou capaz de ser nocauteada, devastada e me sentir a última das mortais. Sou capaz de me isolar no mundo, fechar-me dentro das minhas próprias paredes e, logo em seguida, despertar do meu torpor como se nada tivesse acontecido, fazer uma piada idiota e deixar todo mundo com a pulga atrás da orelha.
E cá estou eu saindo de mais uma volta na montanha russa, tonta e dolorida como em muitas vezes, mas mais forte e um pouco mais sábia como em todas. E não prolongo o lamento, afinal é uma imensa burrice lamentar pelas conseqüências do modo de vida que optei por levar. E lá vou eu preparar-me pra próxima volta. Se é de subida ou de descida, isso só Deus sabe. Mas o que eu garanto é que vai ser tão ou mais intensa como as anteriores. 
No final das contas, eu sempre preferi os perturbadores altos e baixos da montanha russa do que a singularidade lenta e tediosa do bondinho. 

terça-feira, 17 de maio de 2011

Entre uma nota e outra: a saudade


            A música é e sempre foi uma das minhas maiores paixões. E também é um dos poucos itens que não posso esquecer de levar na bolsa do trabalho, da academia, da escola ou do fim-de-semana. Onde eu estiver, meu mp3 vai comigo.
            E hoje, quando estava voltando do trabalho aconteceu o que tanto odeio: a bateria acabou e lá se foi minha trilha sonora até chegar em casa. E foi nesse instante que eu percebi algo que há muito se passava despercebido por mim (justamente porque eu andava muito ocupada tentando entender como aquele guitarrista conseguia fazer aquele solo tão bem). Minha música de cada dia havia se tornado uma distração. Mas não distração dos problemas, dos deveres, não uma forma de relaxar. Havia se tornado uma distração de mim mesma, um inibidor de contato com o meu “eu interior”.   
            Eu sempre fui um ser bem extrovertido, mas sempre reservei alguns momentos do dia para passar comigo mesma mas, ultimamente, tenho ocupado esses momentos com o máximo de atividades que se possa imaginar. E quando não tenho mais nenhuma outra opção ou companhia, meu mp3 é a única saída. É a única maneira que encontro de não ficar a sós com o silêncio da minha mente.
            Aaaaah e isso me incomoda terrivelmente porque nunca fui daquelas mulheres que se escondem de si mesmas. Aprendi a não fugir dos meus dramas e enfrentar qualquer um deles que fosse por menor que fosse. Posso deixar algo inacabado com outra pessoa, mas jamais comigo mesma. E cá estou eu bancando a pirralha, fugindo a todo custo do chamado da minha mente que grita desesperadamente: “Ei, será que dá pra prestar atenção em mim e parar de tentar descobrir como a Hayley Williams faz aquilo com a voz?!!”.
            E cá estou eu escrevendo pela primeira vez desde que saí de Floripa. Sim, porque eu só consigo escrever quando deixo minha mente falar, e por causa de uma droga de bateria que acaba no meio do caminho hoje eu finalmente ouvi seus gritos desesperados.
E justamente por isso eu não estou escrevendo sobre minha despedida, sobre como sinto falta dos amigos de lá, sobre como eu me enganei com muitas pessoas e me surpreendi com outras. Estou escrevendo sobre como tenho tentado a todo custo não pensar em você e em como você está, não pensar em como a vida é engraçadinha comigo, em não pensar como fui cair nessa de novo (a gente sempre pensa que está vacinada), em não pensar em como a saudade tem me esmagado por dentro, em tentar a todo custo não bancar a molenga e começar a chorar. Bom, eu já estou exigindo demais de mim mesma escrevendo isso certo? Vocês não querem que eu diga o que está acontecendo comigo porque já é bem óbvio não?
Enfim, bem feito pra mim que eduquei meu inconsciente a ser tão sincero comigo que quando eu quero que ele fique quieto ele se rebela contra mim e me joga na cara tudo que eu não precisava perceber. Satisfeito agora que conseguiu me fazer chorar?
Final da história: enquanto escrevo esse texto, a bateria do meu mp3 está sendo devidamente carregada. Bem que você pensou que eu ia poupar um pouco o meu mp3 e fugir menos de mim mesma né? Mas sinto muito, já fui sincera o suficiente por um dia não acha? Não se surpreenda se passar por mim na rua e eu estiver com fones de ouvido e um Ray Ban daqueles bem grandes de lentes bem escuras.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O equilíbrio entre o bom e o belo


Se hoje alguém perguntasse qual é, do fundo do meu coração, o meu desejo mais latente eu diria: manter-me fiel aos meus sonhos e valores sem vacilar tanto e sem olhar para trás. Simples? Bem, a julgar pelo nome do meu blog eu não diria que esta me é uma tarefa muito grata.
Dentre tantas escolhas, caminhos e bifurcações tem sido tão fácil me perder das minhas motivações e, por vezes, esquecer dos valores que me impelem ao destino que tanto almejo.
A questão sempre foi essa: não necessariamente manter-me fiel aos sonhos que persigo mas sim, lembrar-me dos valores que me motivam a realizá-los. Nós não queremos apenas os sonhos em si, mas a sensação que a a realização deles provoca.
E quando você é como eu, que muda a todo momento, você precisa tomar algumas atitudes para não esquecer, para não se perder, para não se desviar, para ter uma garantia de que tudo que você sempre buscou não vai simplesmente evaporar em um momento de desespero ou em função de alguma opinião alheia.
E foi assim que o simples ritual diário de conferir meu corpo no espelho trouxe a dádiva de lembrar-me de tudo que sempre busco quando coloco os pés para fora de casa. Quando olho para minhas costas ela está lá: a frase que resume tudo que procuro e que tive de gravar na pele para nunca esquecer.
Kalos kai agathos: o significado grego para "O Equilíbrio entre o Bom e o Belo". É a ele que tenho tentado, todos os dias, manter-me fiel.
Posso mudar o destino da minha viagem, posso mudar as pessoas que farão parte dela, posso modificar o meio de transporte, posso até mudar minha aparência em seu decorrer mas o objetivo final dela sempre será o mesmo: o equilíbrio. O equilíbrio entre aquilo que considero belo e cativante e aquilo que considero bom e útil. O equilíbrio entre os sonhos que posso comprar e aqueles que só minha conduta me fará realizar. O equilíbrio entre o ganho financeiro e material e o ganho espiritual e sentimental. O equilíbrio entre tudo que faz meus olhos brilharem e aquilo que faz meu coração acelerar. O equilíbrio entre o que os outros consideram aceitável e aquilo que meu coração julga ser certo. O equilíbrio entre tudo que faz meu corpo físico reagir e aquilo que faz meu espírito se elevar.
Não sonho apenas com a casa, sonho com ela repleta de amigos. Não sonho apenas com as viagens, sonho com todo conhecimento e experiência que estão atrelados a elas. Não sonho apenas com a carreira e com o trabalho, sonho com a satisfação que nenhum salário no mundo poderá pagar. Não sonho apenas com a felicidade, sonho em poder detectá-la em qualquer pequeno minuto do meu dia.
E foi, em um desses dias quaisquer da vida, que senti o gosto do equilíbrio que tanto procuro.
Passei anos ao lado de pessoas e não consegui conhecê-las e, numa bela tarde de sábado em Sambaqui, descobri que, em apenas algumas horas, posso captar a essência e pureza de pessoas que mal conhecia.
Em cada uma delas pude ver um pouco de tudo aquilo que procuro. Em cada uma delas pude ver um pouco de mim.
Nessas poucas horas, senti o gosto de tudo aquilo que meu coração e espírito tanto anseiam: o verdadeiro equilíbrio entre tudo que amo fazer e tudo que amo sentir.
Tenho tentado há semanas escrever algo que possa descrever o que tenho procurado. Tenho tentado escrever acerca das razões de tantas escolhas difíceis que fiz nos últimos meses. E só agora que conheci vocês é que tudo isso se externa com uma facilidade imensa e natural.
Quero agradecer a todos vocês que estiveram comigo nesse sábado por terem sido tão espontâneos. É na espontaneidade que conhecemos a verdadeira essência das pessoas. Tenho certeza que as fotos que juntos fizemos não são simples reproduções de imagem, são simples descrições da nossa alma e de tudo que sentimos naquele momento.



Como sabiamente disse Antoine de Saint-Exupéry em "O Pequeno Príncipe": " Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos".
Toda vez que quiser ver nossas fotos, sem dúvida as estarei observando com o coração.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Entre caminhos e lágrimas

            Os pensamentos surgem em fluxos arrebatadores e não consigo nem ordenar as palavras. Os dedos tentam desesperadamente teclar sílabas que o coração não consegue mais verbalizar. As lágrimas bem que tentam, mas os olhos já estão cansados de chorar.
Então, desisto de escrever e rendo-me à minha paralisia racional.
            Abro o portão e meus pés me conduzem até a rua. A noite está calma, a lua está bonita. Mas por que, de repente, o mundo se tornou um lugar tão hostil para mim? Os pulmões parecem não inspirar ar suficiente e a angústia parece envolver cada célula do meu corpo. Sem notar, abraço meu próprio corpo na vã tentativa de me proteger de algum inimigo imaginário. Sigo sem ter consciência de para onde estou indo, apesar de conhecer tão bem o lugar em que estou. Por que mesmo o que é tão conhecido perdeu o sentido para mim?     
            O clima está agradável e um arrepio perpassa meu corpo, mas não parece ser de frio. Quando foi que comecei a olhar tanto para trás? Até o vento tão suave parece querer me agredir e quando me aproximo do mar que antes parecia tão convidativo, paraliso, depois dou meia volta e me encaminho para casa. Quando foi que as coisas foram ficar tão estranhas? E depois de todo esse tempo sozinha, quando foi que comecei a ter medo da noite?
            As coisas não vão bem e quando me pergunto finalmente: “Pra que lado vou?” meu coração me responde, com toda sinceridade: “Pra qualquer um que não seja aqui”.
As dúvidas são arrebatadoras, mas as certezas podem ser mais ainda piores quando é o coração que as afirma. Meus pés continuam seguindo e não consigo mais sentir que me aproximo de casa. Quando foi que perdi a sensação de ter um lar?
            Entro, jogo-me no pufe. Finalmente elas me vencem, as desgraçadas lágrimas. Com a visão embaçada começo a observar o apartamento. Os móveis, a decoração, os objetos: tudo fez parte de uma vida que está findando. E mesmo sabendo o quanto é necessário, por que ainda dói tanto?
            O celular está no bolso, lembro que você disse que eu devia ligar quando precisasse. Mas pra que? Só pra eu me sentir ainda pior, ainda mais fracassada, ainda mais frágil? Só pra eu ter ainda mais certeza de que preciso sair correndo daqui? Quando foi que a magia se transformou em desencanto?
            E quando a melancolia me invade, finalmente consigo escrever. Por que diabos as inspirações surgem em momentos tão extremos?
            A única coisa que eu queria agora era sair e caminhar sem rumo até vencer a angústia e ser vencida pelo sono. Mas se há pouco, ao sair pra rua, me senti tão amedrontada como poderia fazer isso agora?
            E, pela primeira vez em muito tempo, não sei como concluir um texto. Não sei como concluir um pensamento, não sei nem como concluir a noite sem cair num choro infantil. A única coisa que consigo me lembrar agora é uma frase que um dia alguém me disse sem nem saber o quanto ela poderia me consolar agora: “Tine, toda mudança gera um desconforto”. É vampirinho, eu sei. Eu só não sabia que era tanto...
                       
           

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Minha desordem ordenada e um texto sobre espiritualidade

Muitas coisas aconteceram comigo nessas duas últimas semanas. Um bombardeio de fatos e emoções que criaram um fluxo gigantesco de pensamentos desordenados e intensos. Tive tantas idéias de assuntos para escrever, mas toda vez que me sentava diante do notebook nada se verbalizava. Os meus pensamentos têm essa incrível capacidade de se materializar com a mesma velocidade com que podem simplesmente evaporar.
Foi então, em um desses assomos de total desespero e desordem mental que me deparei com o texto abaixo.
Já aviso que ele não resolveu nenhum dos meus problemas, mas me ajudou a perceber as razões pelos quais eles existem na minha vida e a ser mais tolerante pois todos têm a sua razão de ser.
Enfim.. na verdade. já estou bolando o meu próximo post que vai falar sobre perdão, que é um tema que há muito estive tentando falar mas só consegui transformá-lo em realidade ontem. E assim é a vida, enquanto penso em falar sobre um assunto, já acontece outra fato que me leva a outro. Mas talvez, baseando-me no texto abaixo, toda essa desordem faça sentido no fim das contas.


As Quatro Leis da Espiritualidade ensinadas na Índia
A primeira diz: “A pessoa que vem é a pessoa certa“.

Ninguém entra em nossas vidas por acaso. Todas as pessoas ao nosso redor, interagindo com a gente, têm algo para nos fazer aprender e avançar em cada situação.

A segunda lei diz: “Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido“.

Nada, absolutamente nada do que acontece em nossas vidas poderia ter sido de outra forma. Mesmo o menor detalhe. Não há nenhum “se eu tivesse feito tal coisa…” ou “aconteceu que um outro…”. Não. O que aconteceu foi tudo o que poderia ter acontecido, e foi para aprendermos a lição e seguirmos em frente. Todas e cada uma das situações que acontecem em nossas vidas são perfeitas.

A terceira diz: “Toda vez que você iniciar é o momento certo“.

Tudo começa na hora certa, nem antes nem depois. Quando estamos prontos para iniciar algo novo em nossas vidas, é que as coisas acontecem.

E a quarta e última afirma: “Quando algo termina, ele termina“.

Simplesmente assim. Se algo acabou em nossas vidas é para a nossa evolução. Por isso, é melhor sair, ir em frente e se enriquecer com a experiência. Não é por acaso que estamos lendo este texto agora. Se ele vem à nossa vida hoje, é porque estamos preparados para entender que nenhum floco de neve cai no lugar errado.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Enquanto houver amor...

            Muitas vezes as lembranças são tão reais que você parece até se materializar diante dos meus olhos. Por outras tantas vezes, elas são tão distantes que evaporam no ar e somem no vazio. Saudade é o consolo dos corações que tão bem conhecem a ausência, a falta, o vazio.
            Enquanto houver saudade, haverá um motivo para relembrar.
            Enquanto houver lembranças, haverá um motivo para agradecer.
            Enquanto houver gratidão, haverá um motivo para amar.
            Enquanto houver amor, haverá um motivo para esperar um reencontro no infinito.
           
            Amanhã meu pai, hoje falecido, comemoraria mais um aniversário. Talvez pareça meio clichê falar a respeito. Mas sabe, escrevo sobre tantos assuntos cotidianos e nem sempre tão relevantes que achei que esta data merecesse algo um pouco maior que uma lembrança abstrata e uma oração.
            Este pequeno post é dedicado ao meu amado pai, a toda minha família e a todas as pessoas que já perderam alguém que tanto desejaram que nunca fosse embora.
            Mas lembrem-se: sempre há vida enquanto houver amor....


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A Cidade do Ego

           Eu não conhecia tão bem o Tiago, mas apenas alguns minutos de conversa foram suficientes para revelar uma personalidade e idéias muito parecidas com as minhas. Engraçado como tão depressa pessoas praticamente desconhecidas podem se tornar tão próximas da gente. Com certeza eu poderia falar, nesse post, sobre esses encontros especiais que temos na vida, não fosse outra coisa que me chamou muito a atenção nessa ocasião.
            Há algum tempo li o livro “Comer, rezar e amar” de Liz Gilbert. No livro ela relata que, para ela, cada cidade tem uma única palavra que a define bem. Ela exemplificou uma delas. Disse que a palavra que melhor definia Roma era “sexo”. Então fiquei pensando com meus botões: qual é a palavra que define Floripa?
            E nessa conversa que tive com o Tiago, eu finalmente tive a resposta. Floripa é , definitivamente, a cidade do ego.
            Agora, claro, vou explicar o que quero dizer. Moro aqui em Floripa há dois anos muito felizes, instáveis e divertidos. Mas algo me chamou atenção desde que cheguei aqui, além das praias e belezas locais. Não sei se talvez eu só percebi isso porque vim de uma cidade pequena ou se realmente as coisas são assim no mundo inteiro. Mas há tantas pessoas que concordam comigo que cheguei à conclusão de que não posso estar ficando louca. O fato é: Floripa é uma cidade linda, cheia de vida, de pessoas bonitas, de baladas incríveis e sim, cheia de egos inflados.       
            Vi e ouvi tantas coisas aqui que às vezes me pergunto se eu realmente estou ficando antiquada e cafona pra minha idade ou se são as outras pessoas que perderam o senso do ridículo. Vou dar alguns exemplos: numa balada na beira da praia e da piscina em Jurerê vi uma menina de salto, calça jeans, corpete e brincos gigantescos. Tudo isso pra ficar na beira da piscina. E eu, com minha simples Melissa e um macacão simples inevitavelmente me senti inadequada.
            Em outra balada cheguei até a ficar meio besta tentando descobrir se aquilo tudo era competição pra escolher a menina que mais conseguisse mostrar o útero (falo do útero porque ver a bunda já parece ter se tornado algo comum por aqui). Nessa mesma balada eu e minhas amigas vimos uma menina fazendo sexo oral em um menino no meio do camarote. Sim gente, eu estou falando sério. Se o segurança não interrompesse a cena, nem quero pensar no que mais teriam feito ali.
            Outro exemplo bastante explícito: uma pseudocelebridade da cidade promove todos os anos uma “Feijoada do *dito cujo” (não divulgarei o nome) que deveria se chamar “Mulherada do *dito cujo”. Uma festa repleta de mulheres bonitas e roupas mínimas. Na verdade, não é exatamente uma festa, é mais uma maneira fácil e rápida de o anfitrião conseguir juntar a maior quantidade de gostosas possíveis pra ele fazer um “after” no fim do dia. E essa mesma criatura critica os gaúchos por beberem chimarrão na beira da praia alegando que uma coisa não combina com a outra. Mas claro, ele sabe de tudo pois feijoada combina perfeitamente com verão e piscina!!! (AAAA eu me irrito! Desculpem-me, vou voltar ao assunto).
            Também já fui testemunha de uma completa estupidez: meninas que deixam de gastar dinheiro para se alimentar bem para ir pra uma balada top. Outras tantas que se endividam para comprar um vestido arrasador pra sair. Enfim, quem mora aqui sabe do que estou falando e quem não mora vai entender o que estou tentando dizer.
            O fato é. Estou ficando tão acostumada a ver mulheres lindas, gostosas e perfeitas que tenho começado a brigar com o próprio espelho. E ao fazer isso, percebi o quanto estou sendo idiota. Não tenho nada contra bronzeamento, roupas bonitas, baladas cheias de glamour e nem silicone (até porque também quer colocar o meu). Só que tenho percebido uma completa inversão de valores aqui. As mulheres deixaram de ser alvo de admiração e respeito para se tornarem meras bonecas infláveis: lindas, perfeitas, totalmente vendáveis e moralmente nulas. Temos nos orgulhado tanto do progresso feminino que não temos percebido o quanto nos tornamos escravas dos desejos masculinos nos vestindo como vadias e nos comportando pior ainda apenas para nos sentirmos aceitas e chamar atenção. Os homens também tem se orgulhado tanto de suas roupas de marca, de seus carros do ano e de suas carteirinhas de sócios das baladas que não têm percebido o quanto se tornaram objetos nas mãos de muitas mulheres.
            Apesar de me considerar inteligente, até mesmo eu percebi diferenças no meu comportamento desde que me mudei pra cá. Prova disso é o meu guarda-roupa que mudou bastante. Não estou querendo dar nenhum discurso moralista nem reprovar a maneira de vestir das meninas. Estou apenas tentando alertar a todos o quanto tem se tornado perigoso e fútil mudar o nosso “eu” para não nos sentirmos excluídos. E sei que essa não é uma tarefa fácil.
            O verdadeiro desafio de todos nós que moramos aqui é encontrar um equilíbrio entre o que a cidade oferece, o que o sexo oposto quer e o que nós queremos, de todo coração, fazer com tudo isso e conosco mesmos. As pessoas precisam reaprender a valorizar aquelas reuniões de amigos em casa, os cineminhas e barzinhos e “programas de índio”, as roupas simples e os chinelos de dedo. Não há necessidade de sermos incríveis até na beira da praia.
            Temos que lembrar que Floripa é uma cidade e não um tabuleiro de xadrez e que nós somos pessoas e não peões. A vida não é um jogo, ela é uma doce e breve experiência e dela não levaremos nem carros, nem jóias, nem dinheiro nem status. Há uma tênue, mas perceptível diferença entre auto-estima e ego. No dia que aprendermos isso, os orkuts e facebooks estarão mais cheios de amigos do que de parceiros de baladas.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Agulhas e balões

            Nunca imaginei que algo tão simples pudesse fazer tanto sentido ao ser comparado com algo tão complexo. Mas, ultimamente, tenho percebido o quanto os meus sonhos se assemelham com balões. Sim, aqueles balões das festinhas infantis. E eu posso dizer que tenho uma coleção deles.                      
            Alguns deles se foram, há muito tempo, para lugares que nem conheço com pessoas que conheço muito bem. Muitos se perderam no caminho e até foram propositalmente deixados para trás para o momento mais oportuno de resgatá-los. Alguns, sem motivo aparente, acabaram murchando com o tempo. Uns poucos eu expus demais a ponto de permitir que pessoas com agulhas afiadas, em um mínimo momento de distração, os estourassem. Foi então que me dei conta do quanto eles são frágeis, de que a responsabilidade de protegê-los é somente minha.
            Já houve um tempo em que enchi meus balões com esperanças e sentimentos baseados em situações alheias a mim. Também houve um tempo em que costumava exibi-los para outras pessoas alimentando a ilusão de que pudessem compreender a beleza de suas cores e formas. Foi um baque perceber o quanto balões cheios de amor são tão frágeis. Foi difícil descobrir como o azul que tanto amo pareceu ser ridículo aos olhos de alguns. Foi ainda mais triste perceber como todo o ar que empreguei num esforço sincero para enchê-los pareceu tão inútil e desnecessário para outros.                         
            Sonhos são tão ridiculamente parecidos com balões. Posso perceber que eles estão cheios, mas não consigo enxergar seu conteúdo. Quanto mais os tiver, mais colorido fica o meu salão de festas. Mas eles nunca serão mais importantes do que as pessoas que convido para participar de minhas festas. Mas hoje tenho consciência de que, para muitos convidados, os meus balões não farão o menor sentido. Isso fará com que muitos deles se retirem e me questionem. Mas para tantos outros eles parecerão lindos e deslumbrantes.
            Enquanto minha vida se desenrola, muitos deles se perderão pelo caminho, tantos outros novamente murcharão, mas eles jamais deixarão de ter a sua importância. A minha verdadeira intenção é fazer com que muitos desses balões fiquem cheios de conteúdos muito mais palpáveis do que ar.
            Quero que eles sejam tão pesados a ponto de somente eu poder carregá-los ao lado de outra pessoa que também carregue os seus, mas tão leves a ponto de ser a única coisa que levarei daqui para o infinito. Porque, um dia, tornar-me-ei mais leve que o conteúdo de um balão.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Erro ou golpe de marketing?

            Não costumo escrever sobre curiosidades aqui no meu blog até porque deixo posts deste teor para minhas participações no blog da Colcci. Aqui, geralmente, os textos têm um conteúdo mais pessoal e sentimental. Mas eu não podia deixar de comentar a respeito desse acontecimento.
            Estava eu no meu Twitter quando fiquei curiosa com o nome da Fernanda Vasconcellos em destaque no canto direito da tela. Obviamente, cliquei para saber o que tanto falam dela e me deparei com uma frase muito engraçada: “Fernanda Vasconcellos sem umbigo em comercial de Havaianas”. Perguntei-me se aquilo era uma piada e fui consultar o Youtube. E, depois de assistir o vídeo, concluí que ela estava, de fato, sem umbigo no comercial. Estava na CARA que o seu lindo abdômen fora descaradamente manipulado. E claro, não digo isso apenas pela “mera” falta do umbigo, mas também por outra observação: quando ela vira de lado parece faltar um grande pedaço da sua barriga. Ou a menina tem uma grande ondulação que só conseguimos ver quando ela está de perfil ou realmente a manipulação não foi feita de maneira muito satisfatória.
            Então comecei a ler os comentários abaixo do vídeo e realmente tive que concordar com a colocação de um internauta. Assim como ele, também acredito que seja muito improvável ocorrer um erro dessa proporção em um comercial de uma marca tão consagrada. Até eu que sou leiga em manipulação de vídeos teria percebido que a pobre estava sem umbigo antes de aprovar o vídeo para exibição em rede nacional.
            O que nos resta é a seguinte reflexão: será que essa aparente burrice não seria um golpe de marketing um tanto quanto genial? Sim, porque todos nós gostamos de uma novidade, de um vídeo engraçado ou de perceber uma gafe. Não venha você me dizer que, mesmo não gostando de fofoca, não ficou interessado no vídeo. Prova disso é a quantidade de comentários no Twitter, no Facebook e a quantidade de vídeos iguais que estão rolando no Youtube. Apenas um deles já está (neste momento) com 188856 acessos. Detalhe: esse vídeo foi postado no dia sete de janeiro. Quantos comerciais de TV têm tantos acessos em tão pouco tempo?
            Se, de fato, foi erro da equipe de Marketing eu tenho que dizer que foi colossal. Mas ainda acho mais provável que eles tenham, em um golpe de genial sensibilidade, utilizado-se de nossa curiosidade para disseminar uma informação. Nós somos movidos pela curiosidade, gostamos de novidades, queremos saber o que está acontecendo e queremos nos divertir ao mesmo tempo que nos informamos. Se esta foi realmente a maneira como eles chegaram à conclusão de que seria uma ótima idéia tirar o umbigo da Fernanda Vasconcellos para gerar alarde, então tenho que aplaudi-los!!!
            Separei duas imagens abaixo para quem quiser matar a curiosidade. E se ainda não ficarem satisfeitos, não deixem de conferir o vídeo. (Olha eu aqui colaborando pro comercial se espalhar ainda mais, hsuaihsiuahisuha).

http://www.youtube.com/watch?v=RHY4Wu0dngo&feature=topvideos

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

FELIZ ANO NOVO!!!

Caros leitores, simpatizantes, amigos e visitantes.
O último dia  do ano não me trouxe nenhuma maravilhosa inspiração para este post. Geralmente, gosto de ter idéias um pouco mais extraordinárias na hora de escrever. Mas não vejo o que pode, hoje, ser mais extraordinário do que desejar um Feliz Ano Novo a todos que estiveram comigo, direta ou indiretamente, durante este ano.
Sim, porque é tão espetacular quando você deseja, de coração, coisas boas a alguém. O bem sempre dissemina o bem.
Hoje é um daqueles poucos dias do ano em que tantos milhões de pessoas estão ligadas a um só sentimento, a uma esperança, a uma alegria: o fim de um ano de muito trabalho, muitos problemas, alegrias, tristezas, conquistas... E ainda melhor do que isso: comemorar a chegada de um novo ano cheio de boas promessas.
E antes de começar a fazer pedidos para o novo ano quero fazer um agradecimento ao ano que está terminando. Com certeza, se não fosse esse ano tão maluco e cheio de surpresas - boas e más - eu não estaria tão preparada e forte para os próximos que virão. E convido todos a fazerem a mesma reflexão: agradeçamos a tudo que nos foi dado e ensinado, por mais difícil que tenha sido.
E depois dessa breve e humilde sugestão quero, de todo coração, desejar um ÓTIMO E FELIZ ANO NOVO a todos! Que todos os sonhos que ficaram para trás sejam relembrados no próximo ano e que com eles, ressurjam a esperança e a vontade de vencer!
Um grande abraço
Cris
;D

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Blog Colcci Floripa!







Caros amigos, leitores e simpatizantes do blog.
O PraQueLadoVou tem se tornado um grande refúgio pra mim. É aqui que escrevo sobre minhas experiências, pensamentos, confusões e idéias. Esse é o meu mundo particular.
Mas nem todos conhecem o meu mundo menos emocional e mais profissional. Poucos sabem que sou Consultora de Moda. E aqui, quero divulgar o trabalho que tenho feito para o blog da Colcci Floripa.
São matérias semanais que falam sobre vários assuntos, principalmente moda, música e comportamento.
Para quem quiser conhecer o blog, a marca e minhas matérias coloquei, abaixo, o link!


Fiquem à vontade para ler e comentar!
=D

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Lições em um temporal

            Ontem foi um daqueles dias em que o momento de sair do ônibus coincidiu exatamente com o momento em que começou a chover torrencialmente. E para completar o momento de “sorte”, obviamente, eu estava sem guarda-chuva. Aí tive que pensar no que fazer: correr até em casa desesperadamente ou simplesmente caminhar na chuva como se nada estivesse acontecendo. E eu escolhi a segunda opção.
            E é engraçado pensar em quantas situações inevitáveis se colocam à nossa frente todos os dias e quantas vezes decidimos resistir a elas em vez de nos conformarmos e seguirmos em frente da melhor forma que pudermos. Claro que, na maior parte das vezes, sempre podemos tomar uma atitude. Mas há sempre aquelas horas em que a melhor atitude é não tomar atitude nenhuma e deixar a vida se desenrolar. Há várias “chuvas” na nossa vida que revelam grandes oportunidades de aprendizado.
            E naquela noite, como se não bastasse ter chegado em casa bastante molhada decidi ainda prolongar esse momento. Deixei minha bolsa em cima da mesa da cozinha, troquei a sapatilha encharcada por um chinelo e fui caminhar até a beira da praia (sem guarda-chuva). Observar o mar revolto, os raios se encontrando com o mar, as nuvens negras escondendo a lua ainda adicionaram mais uma à lista de reflexões do dia. Diante de toda a imponência da natureza, percebi o quanto eu e meus problemas somos pequenos. O quanto é fácil mergulharmos na grandeza falsa de nossos problemas e nos esquecermos de quantas coisas no mundo são maiores do que nossas decepções, tristezas ou aflições. O quanto pagamos para ter prazeres que a natureza oferece de graça. O quanto um banho de chuva pode ser mais prazeroso do que um dia inteiro no shopping. O quanto a natureza pode nos ensinar todos os dias.
E depois de passar um bom tempo olhando para o mar e me encharcando mais um pouco, finalmente decidi ir para casa sob os olhares desconfiados das pessoas que passavam na rua de carro. Naquela noite, tomar um banho quente e colocar um pijama foi tão mais prazeroso do que era normalmente. Fui pra cama com todas as reflexões que tive naqueles pequenos instantes e com a certeza de que, na próxima vez que chover, se eu não tomar um banho vou, ao menos, ficar na janela observando a chuva e esperando as próximas lições que a natureza quiser me ensinar.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Quase finito

Com o final do ano cada vez mais próximo, para mim tem se tornado quase impossível evitar uma sensação bem característica dessa época: uma mistura de cansaço, desmotivação, angústia e alívio. Dois mil e dez foi para mim, assim como para tantas outras pessoas, um ano bastante difícil. Fazer uma retrospectiva dele faria você rir, chorar, ficar de cabelo em pé, sentir inveja e, por muitas vezes, alívio por não ter estado no meu lugar.
Não quero fazer drama porque já tenho uma fama de “emo” já há muito consolidada. A intenção é dividir com todos essa sensação estranha que anda me arrebatando nas últimas semanas e que eu tenho certeza que não é exclusivamente minha. Aquela sensação de finalmente esse ano estar chegando ao fim e, ao mesmo tempo, uma espécie de tristeza por ter de me desapegar de todas as rotinas a que fui submetida durante esses estranhos, divertidos e diferentes doze meses.
Por mais que eu me considere desapegada e bastante adaptável a novas rotinas, devo admitir que me parece muito estranho ter que mudar todos os meus horários e deveres no ano próximo. E mais estranho ainda me parece o fato de eu estar me obrigando a mudar tudo de novo. Sim, porque muitas pessoas nesse mundo todo não mudam quase nada nas suas vidas de um ano para o outro. Para muitas, a noite da virada de ano não passa de mais uma noite comum regada a champagne e com alguns fogos de artifício.
Mas para mim é sempre tão diferente. Todo ano é a mesma coisa: um mês e meio antes do término do ano começa o meu processo de avaliação retrospectiva. Essa parte não é tão angustiante pois não se pode fazer muito a respeito do que já foi feito. Não me permito remoer muito o passado porque, muitas vezes, ele pode ser bastante tóxico.
A pior parte, na verdade, é aquela em que começo a pensar o que vai ser do próximo ano: os cursos que farei, os lugares que trabalharei, onde irei morar, as baladas que irei, as pessoas que conhecerei, o dinheiro que precisarei. E acreditem, eu consigo realmente ficar pirada com isso. E quando eu, que sou tão falante, começo a ficar em silêncio e com a testa enrugada as pessoas começam a perguntar o que está acontecendo. E quando respondo a essa pergunta é que me dou conta do quanto estou sendo ridícula. Sim, ridícula. Porque planos todos nós fazemos, mudanças todos desejamos, mas nem todos conseguem ficar malucos com isso.
O post de hoje tem um grande toque de auto-consolo. Estou tentando desesperadamente não me desesperar. Estou tentando realmente acreditar que é difícil plantar frutos em uma terra que ainda não está preparada para recebê-los. Estou tentando escrever este post sem pensar nos que escreverei no ano que vem.
Mas não adianta. Como sempre, estou aprendendo, aos poucos, a não me atropelar. Eu estou quase conseguindo me controlar o suficiente pra não me atirar da ponte Hercílio Luz. Mas o quase ainda é meio vago: estou quase conseguindo, estou quase enlouquecendo... Ainda bem que o ano é QUASE finito.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Se as coisas fossem outras coisas

Se saudades fossem chocolates, eu já estaria obesa;
Se desejos fossem dinheiro, eu já estaria milionária;
Se sonhos fossem água, eu morreria afogada;
Se coragem fosse fogo, eu morreria queimada todos os dias;
Se loucura fosse remédio, eu viveria dopada;
Se amor fosse luz, alguns dias eu estaria radiante e outros completamente apagada;
Se medo fosse casaco, eu estaria quase sempre de regata (eu disse quase sempre);
Se alegria fosse juventude, eu ainda seria um bebê.
Se vontade fosse areia, eu viveria construindo castelinhos.
Se idéias fossem roupas, eu teria um closet gigante.
Se pensamentos fossem sapatos, (noooooooooossa!) eu seria uma mulher ainda mais feliz! hahahaha
Se sentimentos fossem notas musicais, eu seria a maior e melhor compositora do mundo.
Se uma vida fácil fosse comida, por vezes eu morreria de fome.
Se família fosse ar, eu jamais deixaria de respirar.
Se amigos fossem tesouros, eu seria o pirata mais bem sucedido do mundo.
Seria engraçado se as coisas fossem outras coisas;
Será que, de fato, por vezes elas não são?
Será que, por tantas vezes, não digo uma coisa pensando em outra?
Se descobrir isso fosse jogar xadrez, você nunca daria o xeque-mate.

sábado, 20 de novembro de 2010

Melodias de um amor desordenado

Eu não costumava voltar por portas que antes considerava fechadas. Mas você reabriu uma que eu considerava trancada. Como você encontrou a chave?
Será que o que vivemos hoje é apenas nostalgia, uma saudade daquilo que não podemos ter de volta (ainda)? Ou será que tudo isso que sentimos é aquilo que tanto nos esforçamos, por tanto tempo, para manter adormecido?
Odeio calendários que não se encaixam, desejos que não se equiparam, vidas que tomam rumos tão diferentes mas parecem sempre se encontrar em algum ponto do caminho. Odeio a forma como somos iguais em nossas diferenças e o quanto somos diferentes em nossas semelhanças.
E mudar tudo mudaria alguma coisa? E ter alguma garantia nos faria, de fato, mudar?
E se uma simples atitude no momento errado nos fizesse desperdiçar um sentimento que, assumido em uma hora mais própria, poderia mudar nossas vidas para sempre?
E se todas essas suposições fossem apenas uma desculpa esfarrapada (mas muito bem bolada) mascarando um medo de voltar a sentir, um medo do "sempre"? Pois uma vida sem amor é tão mais tranqüila. Mas será realmente que gostamos tanto de tranqüilidade?
Não, não pode ser. Porque se, de fato, ela nos seduzisse tanto nós não teríamos nos atraído. Ah como eu sei que posso dizer isso.. porque você é a bagunça da minha vida. Aquele tipo de bagunça gostosa que transforma minha vida numa desordem prazerosa.
Eu não sei o que dizer. Muitas vezes não sei nem o que pensar. Os sentimentos nunca se ordenam como os pensamentos.
Ao contrário de você, eu não componho nem toco. Mas escrevo e sinto.
Será que um dia minhas palavras e suas melodias se unirão para se tornar uma canção???